Enfim, vamos ao assunto de hoje: para encerrar este primeiro ciclo, decidi falar de alegria. Não era o tema original, confesso. Mas na última semana, a vida mudou muito para mim por aqui e não pude tratar de outro tema que não este.

Não, não serei pai. Não ganhei na Mega-Sena (já descobriram o paradeiro do rapaz que ainda não havia retirado o prêmio). Não tinha pavê no buffet de hoje.
A notícia que mudou minha semana foi daquelas categorizadas como triste: uma pessoa para lá de especial para mim.

Mas como isso pode ter me alegrado? Talvez você esteja pensando sobre. Explico: meu avô era pura alegria, pura felicidade. A felicidade é um dos meus temas preferidos e a missão que move a A Grande Escola e a Humans at Work, nossas duas empresas: uma leva para o dia a dia e a outra para o ambiente de trabalho.

Passo boa parte das minhas horas de vida lendo, estudando, debatendo, procurando entender como ser mais feliz, como alegrar. Meu avô, ao contrário, passava todas as horas de sua vida sem procurar entender, mas vivendo o sentimento intensamente.

Nunca conheci uma pessoa com alegria tão genuína. Inclusive já quiseram até colocá-lo numa pesquisa por conta disso (outra hora explico melhor esta história). Seu Inamá era amor e alegria em estado puro. Ter tido a oportunidade de conviver com ele e aprender com seu jeito de ser me alegra. E mesmo nos seus últimos momentos de vida, com toda dificuldade da doença, ele continuou ensinando, alegrando e estando alegre. Tá aí um cara feliz.

Meu avô morreu sorrindo, quando talvez poucas pessoas encontrassem motivo para se alegrar em tal situação. É uma capacidade impressionante e algo que sempre procurei entender e aprender com ele. Mas ele não me explicava. Ele ria.

No final da vida, ele já estava pouco lúcido e não me reconhecia, talvez a grande lição não fosse absorvida. Mas ela veio, no último segundo. Não que ele tenha esperado um último segundo para dizer algo (como nos filmes). Ele me ensinou a vida toda, eu que demorei para compreender e aprendi no limite do tempo, mas aprendi: devemos buscar na vida diversos motivos para nos alegrar.

A vida é um acervo riquíssimo de motivos alegradores: o olhar positivo, o reconhecimento da existência, a contemplação da natureza, o doce de banana, a visita inesperada, a palavra de um padre, uma notícia triste, todos são motivos. Porque no fundo a alegria não está exatamente no objeto que motiva, mas na percepção daquele que tem contato. Na forma como lidamos com o visitante inesperado, com a notícia triste ou com o pote de doce de banana que é nos dado. Você não têm noção do quanto isso fazia meu avô feliz (especialmente o doce). É o que estou tentando aprender.

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Porém, mais importante do que tudo isso é aprender a alegrar-se sem motivo. Porque aí a percepção já não precisa ser treinada, torna-se natural, fluxo. Algo que parece difícil, mas nesta despedida apresentou-se absolutamente simples para mim. Essa é a nossa essência. A nossa energia. O nosso interior. Por isso, alegria. Alegria pela existência e inexistência. Alegria por esta segunda-feira. Por este texto. E pela própria alegria.

Seu Inamá não está mais por aqui. E eu estou muito alegre por isso. Saudades sempre vou sentir, claro. Mas a alegria do que aprendi e vivi será sempre maior. Sempre que for feliz, ele estará em mim. E para ele estar no mundo, seguirei ainda mais forte no trabalho desta missão.

O que é alegria e felicidade para você? O que você pode me ensinar sobre isso?

*Ah, no nosso último encontro, após não me reconhecer (mas me fazer rir muito – ele conseguiu recuperar um fio de lucidez para pedir para comer um “peixinho”), quando já eu saía do quarto ele se despediu da maneira que sempre costumava: “tchau, meu filho”. Poderia pensar que ele lembrou de mim ou que ele entendeu que eu era algum parente (sem saber quem) e procurou tratar de forma carinhosa. Mas tenho preferido, ao invés de pensar sobre isso, simplesmente me alegrar com a oportunidade da nossa última palavra trocada ter sido: “tchau”.

**Este texto foi escrito com a memória e os ensinamentos de Inamá Iberê Deslandes de Souza, que deixou nosso planeta no dia 31/07/2017, após 84 anos de pura alegria.


Esse texto faz parte do projeto #OhHappyMonday e  foi enviado, por email, dia 07/08. Se você também quer receber novidades em primeira mão, ganhar descontos e participar de eventos exclusivos, clique aqui!

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